Arritmias em atletas profissionais ou amadores: quando o esforço esconde um problema cardíaco.

Estamos acostumados a ver atletas como sinônimo de saúde perfeita. Corpos treinados, fôlego em dia e disciplina de ferro. Por isso, quando a televisão mostra o desfalecimento súbito de um jogador em campo, o choque é imediato. E o silêncio que vem depois é pior que o barulho do estádio.

Esses casos de arritmias em atletas assustam porque parecem contradizer a lógica e o pensamento que vem à mente é: “se isso acontece até com um atleta de alto desempenho, imagina comigo!” É exatamente aí que mora a mensagem central deste post. 

O esporte é excelente para o coração, mas não torna ninguém imune a problemas cardíacos. Entender isso muda a forma como treinamos e como nos prevenimos.

Quando a cena na TV vira alerta real de arritmias em atletas

Se o atleta tem um mal súbito enquanto participa de um evento esportivo bem estruturado, que conta com uma equipe médica no local, isso faz toda a diferença. 

Felizmente, quando há profissionais treinados, ações rápidas e equipamentos adequados, a chance de sobrevivência aumenta de forma dramática.

Mas a imagem impacta de qualquer forma. Os questionamentos que surgem a seguir giram em torno da possibilidade da situação ter sido evitada ou não. 

Morte súbita no esporte: rara, mas relevante.

Quando falamos em morte súbita durante atividade esportiva, falamos de um evento que pode ocorrer mesmo em pessoas jovens. Ao mesmo tempo, é importante colocar isso em perspectiva. A prática esportiva continua sendo um dos pilares da saúde cardiovascular. 

Só que ela também aumenta a exigência do corpo, e um problema silencioso pode aparecer justamente quando o coração é mais cobrado. Ou seja, é muito incomum. Mas é sério o suficiente para justificar prevenção e triagem. A raridade não elimina a responsabilidade de cuidar.

O mito do atleta como exemplo de perfeição e os riscos escondidos

Existe uma crença perigosa de que boa forma equivale a um coração blindado. Só que condicionamento físico não é um laudo médico. 

Um atleta pode ter predisposição genética, alterações elétricas do coração ou até doença nas artérias e não sentir nada até o momento de maior esforço físico e mental.

O Dr. Cídio Halperin informa, de acordo com os dados do IBGE, no Brasil, ocorrem aproximadamente 400  de morte súbita por ano  em jovens até 29 anos durante a prática esportiva. 

Não é algo frequente, mas quando acontece, vira notícia. Principalmente porque, em geral, os atletas são exemplos de perfeição, cuidam da saúde e estão sempre em boa forma.

O risco do uso de drogas nas atividades esportivas 

Substâncias que modificam o funcionamento do organismo são fatores que aumentam os riscos cardíacos e precisam ser tratados sem rodeios.

Alguns atletas usam drogas, estimulantes, moduladores e principalmente  energéticos em excesso, na busca por desempenho, foco ou resistência. O problema é que algumas dessas substâncias podem facilitar arritmias, que são alterações do ritmo cardíaco. Podem também elevar a pressão, elevar a carga do coração e aumentar um risco que já existia. 

Em um cenário de treino intenso, desidratação, limites físicos levados ao extremo e alta adrenalina, essa combinação pode ser especialmente perigosa.

A idade muda o tipo de risco: até 35 versus acima de 35.

As estatísticas mostram que a morte súbita é mais frequente em atletas com mais de 35 anos. A lógica por trás desses números é óbvia. Nessa faixa etária, aumenta a chance de já existir doença do coração, especialmente problemas nas artérias coronárias.

Após os 35 anos,  pode haver obstrução em alguma artéria do coração (placas que diminuem o fluxo sanguíneo) ou outras lesões que, sob esforço intenso, podem levar a um desfalecimento. 

Como se prevenir antes de competir: o básico bem feito.

Se você vai se engajar em atividades físicas competitivas, independentemente da idade, o primeiro passo é simples e mandatório. Faça uma avaliação cardiológica.

O Dr. Halperin enfatiza algo muito objetivo, pelo menos uma consulta médica completa junto a um eletrocardiograma (ECG). O ECG é um exame rápido e indolor que registra a atividade elétrica do coração. Ele pode apontar sinais que merecem investigação, principalmente em quem quer competir ou treinar em alta intensidade.

Além disso, o médico pode solicitar outros exames, dependendo do seu caso e do que aparecer na consulta. O importante é entender que prevenção aumenta a sua segurança para treinar melhor. 

Quem busca uma avaliação cardiológica treina com mais inteligência.

Como saber se eu tenho risco: o que seu cardiologista precisa saber.

Prevenção começa por uma boa anamnese.  O seu médico fará diversas perguntas, entre elas:

  • história familiar de morte súbita (alguém na família que faleceu de forma inesperada e precoce);
  • casos na família de infarto ou doença cardíaca importante;
  • se você já teve desmaio (principalmente durante esforço);
  • se você usa ou já usou drogas, estimulantes ou certas medicações;
  • se existe algum sintoma que você normalizou (cansaço fora do padrão, palpitações, dor no peito, falta de ar incomum).

Essas respostas ajudam a enquadrar você num nível de risco e orientar quais exames fazem sentido. 

Os exames também são úteis para colocar você num grupo de risco mais baixo, se for o caso, e isso traz tranquilidade real.

Ambientes seguros: prevenção também é onde você treina.

Para esportes competitivos, o ideal é buscar locais seguros, com presença de profissionais treinados e com recursos para agir rápido em qualquer emergência.

Os desfibriladores automáticos (DEA), por exemplo, deveriam ser mais comuns nos kits de primeiros socorros nos espaços onde se praticam esportes, assim como pessoas preparadas para o seu raro uso.

No fim das contas, quanto mais organizado e preparado for o ambiente, mais seguros serão os treinos e os eventos esportivos.

Continue treinando, mas cuide do seu coração.

Doenças cardiovasculares seguem sendo uma das principais causas de óbito em adultos e seu coração precisa de atenção. 

A prática esportiva é uma grande aliada na prevenção, desde que venha acompanhada de avaliação, consciência e ambientes seguros.

Faça o básico bem feito: 

  • consulta; 
  • ECG
  • investigação quando necessário;
  • cuidado com substâncias que aumentam risco;
  • sono e alimentação saudável.

Se você pratica esportes, participa de competições ou quer treinar com mais intensidade e segurança, uma avaliação cardiológica pode trazer clareza, prevenção e tranquilidade.

Entre em contato e agende sua consulta com o Dr. Cídio Halperin para uma avaliação completa, com orientação para o seu perfil, sua idade e seus objetivos esportivos. 

Clínica Cidio Halperin

Rua Mostardeiro 157 Conj. 703/704 | Moinhos de Vento

Porto Alegre/RS