Coração batendo abaixo de 50 bpm não significa, que exista uma doença grave. Em muitas pessoas, especialmente durante o sono ou em quem tem bom condicionamento físico, isso pode ser normal.
Por outro lado, quando a frequência cardíaca baixa vem acompanhada de sintomas ou surge sem explicação clara, a investigação é importante.
A frequência cardíaca, sozinha, não conta toda a história. O que define a necessidade de avaliação é a combinação entre número, sintomas, contexto e causa.
O que significa ter o coração abaixo de 50 bpm
Usualmente vemos sigla bpm quer dizer batimentos por minuto. Em repouso, muitos adultos costumam ficar entre 60 e 100 bpm. Quando a frequência cardíaca está abaixo disso, entramos no campo da bradicardia, que é o nome dado aos batimentos mais lentos do que o esperado.
Mas existe uma diferença importante entre um número baixo e um problema real. Uma pessoa pode estar com 48 bpm e passar muito bem, sem nenhum sintoma, com boa disposição e sem qualquer sinal de sofrimento do organismo.
Outra pode estar com 52 bpm e sentir tontura, fraqueza e mal-estar. Por isso, não é o número isolado que define gravidade.
Coração abaixo de 50 bpm é sempre bradicardia?
Do ponto de vista técnico, sim. Quando a frequência está abaixo de 60 bpm, o termo bradicardia pode ser usado. Porém, na prática clínica, isso não significa automaticamente que exista uma doença ou que a situação seja preocupante.
A pergunta certa é se essa bradicardia tem importancia clínica. E isso depende do que está acontecendo com a pessoa naquele momento, do histórico dela e da presença ou não de sintomas.
É por isso que dois pacientes com a mesma frequência podem receber orientações completamente diferentes. O número é o começo da avaliação, não a conclusão.
Quando a frequência baixa pode ser normal
Há situações em que uma frequência cardíaca baixa é esperada e até saudável. Isso é comum, por exemplo, em pessoas fisicamente bem condicionadas.
- atletas e praticantes regulares de exercícios podem ter o coração mais eficiente, conseguindo bombear sangue com menos batimentos por minuto;
- também é comum a frequência cair durante o sono, quando o corpo está em repouso profundo. Nessa fase, o metabolismo desacelera e o sistema nervoso reduz naturalmente o ritmo cardíaco. Em muitos casos, isso é totalmente normal;
- algumas pessoas ainda têm uma tendência individual a manter frequência mais baixa mesmo sem serem atletas. Se estão bem, sem sintomas e com exames tranquilos, essa pode ser apenas uma característica do próprio organismo.
Quando a bradicardia merece atenção
A preocupação começa a aumentar quando a frequência baixa vem acompanhada de sintomas. Isso porque, nesses casos, o coração pode não estar conseguindo manter um fluxo de sangue adequado para o cérebro e para o restante do corpo.
Sinais que merecem atenção incluem:
- tontura;
- sensação de quase desmaio;
- desmaio;
- cansaço fora do habitual;
- falta de ar;
- fraqueza;
- confusão mental;
- intolerância aos esforços;
- sensação de lentidão;
- sonolência excessiva;
- dificuldade para manter as atividades do dia.
Outro ponto importante é observar se a frequência baixa apareceu de repente, sem explicação clara ou se houve piora ao longo do tempo. Uma mudança recente costuma exigir investigação mais cuidadosa.
O que pode causar bradicardia
Existem várias causas possíveis para batimentos cardíacos lentos. Algumas são benignas. Outras exigem avaliação de um cardiologista.
Uso de medicamentos que reduzem a frequência cardíaca
Remédios para pressão alta, arritmias, ansiedade e algumas outras condições podem deixar o coração mais lento. Nesses casos, o efeito pode ser esperado, mas ainda assim precisa ser avaliado para saber se ficou além do desejado.
Sistema elétrico do coração
O coração bate porque recebe impulsos elétricos organizados. Quando esse sistema falha, o ritmo pode ficar lento demais. Isso pode ocorrer pelo envelhecimento do tecido cardíaco, por doenças do coração, por cicatrizes no músculo cardíaco ou por alterações específicas na condução elétrica.
Alterações hormonais e metabólicas
Problemas de tireoide, distúrbios de sais minerais e algumas infecções são exemplos. Em certos casos, a causa não está no coração em si, mas o coração acaba mostrando o sinal.
Como saber se preciso procurar um cardiologista
Se você mediu a frequência e viu o coração abaixo de 50 bpm uma única vez, sem sintomas, em repouso ou durante o sono, isso não significa urgência automática. Vale observar o contexto e repetir a medição em outro momento, de preferência em condições tranquilas.
Agende uma avaliação com seu cardiologista se:
- a frequência baixa é frequente;
- vem acompanhada de sintomas;
- apareceu recentemente;
- está associada a sensação de mal-estar.
Mas o Dr. Cidio Halperin alerta que se houver desmaio, dor no peito, falta de ar importante ou piora súbita do estado geral, você deve procurar um atendimento imediatamente.
Quais exames podem ser solicitados
Quando há suspeita de bradicardia que merece investigação, o cardiologista começa com uma boa conversa e um exame físico cuidadoso.
Entre os exames:
- o Eletrocardiograma registra a atividade elétrica do coração e pode mostrar alterações na condução dos impulsos;
- Holter de 24 horas ou de longa duração ajuda ainda mais, porque acompanha o ritmo cardíaco ao longo do dia e da noite, relacionando os achados com sintomas e rotina;
- podem ser solicitados exames de sangue para investigar tireoide, eletrólitos e outras causas clínicas;
- algumas situações também exigem ecocardiograma ou testes complementares.
Bradicardia tem tratamento?
Tem, mas nem toda bradicardia precisa ser tratada. Quando a frequência baixa é fisiológica, sem sintomas e sem repercussão, muitas vezes o melhor caminho é apenas acompanhar.
Nos casos em que existe uma causa reversível, o tratamento é voltado para essa causa. Pode envolver:
- ajuste de medicação;
- correção de alterações hormonais;
- manejo de doenças associadas.
Quando o problema está no sistema elétrico do coração e há sintomas ou risco clínico, algumas pessoas podem precisar de marcapasso.
O marcapasso é indicado em situações específicas. Ele não é uma solução para qualquer frequência baixa, mas pode ser extremamente importante quando o coração não consegue manter um ritmo adequado de forma confiável.
Se você percebeu seu coração abaixo de 50 bpm, episódios de tontura, desmaio, cansaço fora do normal ou quer entender melhor o que está acontecendo com o seu ritmo cardíaco, entre em contato e agende sua consulta com o Dr. Cidio Halperin. Uma avaliação especializada é o melhor caminho para esclarecer dúvidas, identificar a causa e orientar a conduta correta com segurança.
Arritmologista Porto Alegre
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