Troca de bateria do marcapasso: quando e como é feita?

O marcapasso é um dispositivo pequeno, do tamanho aproximado de uma caixa de fósforos, que garante que o coração mantenha um ritmo adequado quando o sistema elétrico natural do órgão falha. 

Ele funciona à base de uma bateria e, como toda bateria, ela tem uma vida útil. Quando esse limite se aproxima, chega o momento de trocar a bateria do marcapasso. 

É um procedimento comum na cardiologia, seguro e bem estabelecido, mas que gera dúvidas legítimas em quem convive com o aparelho.

Como funciona o marcapasso e por que a bateria acaba?

O marcapasso tem duas partes principais: 

  • o gerador, que contém a bateria e o circuito eletrônico;
  • os eletrodos (também chamados de cabos), que conectam o gerador ao músculo cardíaco. 

O gerador envia pequenos impulsos elétricos que estimulam o coração a bater na frequência certa.

A bateria fornece energia contínua para esse trabalho. Diferente da imagem de uma pilha que simplesmente para de funcionar de uma hora para outra, a bateria do marcapasso descarrega de forma gradual e previsível. 

Isso permite que o cardiologista acompanhe o desgaste ao longo do tempo e planeje a troca com antecedência.

A duração média varia conforme o modelo do aparelho, o quanto o paciente depende do estímulo e os ajustes de programação. Na maioria dos casos, a bateria dura entre 6 e 12 anos.

O que define a durabilidade?

Alguns fatores influenciam quanto tempo a bateria vai durar:

  • o percentual de dependência do marcapasso, já que pacientes que precisam de estímulo o tempo todo consomem mais energia;
  • a voltagem programada para estimular o coração;
  • o número de câmaras cardíacas estimuladas, pois modelos que atuam em mais de uma câmara gastam mais;
  • o tipo e a tecnologia do dispositivo;
  • a frequência de uso de funções adicionais, como sensores de atividade.

Quando a troca da bateria é necessária?

Na verdade, o desgaste da bateria costuma ser silencioso, e é justamente por isso que o acompanhamento periódico é tão importante. O especialista em marcapassos identifica o momento certo muito antes de qualquer sintoma aparecer.

O papel das revisões periódicas

Quem tem marcapasso faz revisões regulares em que o aparelho é avaliado por telemetria, uma leitura sem fio feita por um programador específico. 

Nessa avaliação, o médico verifica o estado da bateria, o funcionamento dos eletrodos e a programação do dispositivo.

Durante o acompanhamento, o marcapasso indica dois marcos importantes:

  • ERI (Elective Replacement Indicator), o sinal de que a bateria entrou na fase de substituição eletiva, ou seja, ainda há uma margem de tempo confortável para agendar a troca com calma. Assim como um mostrador de gasolina em automóvel, mostra que o gerador tem energia mas entrou na reserva.
  • EOL (End of Life), o estágio final da bateria, quando a substituição passa a ser mais urgente.

O objetivo é sempre agendar a troca um pouco antes do chamado ERI, com tranquilidade, evitando chegar ao EOL. Por isso, manter as consultas em dia é o que garante que o procedimento seja planejado, e não uma emergência.

Sinais de alerta

Como a troca é programada com antecedência, O marcapasso funciona normalmente até poucos meses antes de interromper completamente seu funcionamento, ou seja, não existem sintomas relacionados ao desgaste da bateria: 

Sintomas como 

  • tonturas ou sensação de desmaio;
  • cansaço fora do comum;
  • retorno de sintomas que existiam antes do implante;
  • batimentos cardíacos irregulares.

Podem ocorrer vinculados ou não ao desgaste das baterias. Diante de qualquer um deles, o paciente deve procurar o cardiologista para uma avaliação do dispositivo.

Como é feita a troca da bateria?

Na imensa maioria das vezes, trocar a bateria significa trocar apenas o gerador. Os eletrodos, que ficam fixados ao coração, geralmente são mantidos, desde que estejam em bom estado de funcionamento. 

Isso torna o procedimento mais simples do que o implante original.

Antes do procedimento

O preparo inclui exames de rotina, avaliação clínica e orientações sobre medicamentos, especialmente anticoagulantes, que às vezes precisam de ajustes ou até mesmo interrupção por alguns dias. O cardiologista conversa com o paciente sobre o passo a passo e esclarece cada etapa.

Durante a cirurgia

A troca do gerador é um procedimento de pequeno porte com anestesia local e seativos. Usualmente não é necessária anestesia geral. O tempo de cirurgia é curto, em geral menos de uma hora, e o paciente permanece consciente na maior parte dos casos, sendo logo apos encaminhado para recuperação com curativo. 

Depois da troca

A recuperação costuma ser rápida. Muitos pacientes recebem alta no mesmo dia ou após uma noite de observação. Nos primeiros dias, valem alguns cuidados:

  • evitar movimentos amplos com o braço do lado do implante;
  • manter o curativo limpo e seco conforme a orientação médica;
  • observar sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço ou dor intensa no local;
  • comparecer à consulta de revisão para checar a programação do aparelho.

Em pouco tempo, a pessoa retoma as atividades normais com um dispositivo renovado e pronto para funcionar por vários anos.

Se você tem marcapasso e deseja acompanhar de perto o funcionamento do seu dispositivo, ou se ficou com dúvidas sobre a troca da bateria, agende uma consulta com o Dr. Cídio Halperin. 

Uma avaliação cardiológica cuidadosa é o caminho para viver com mais segurança e qualidade de vida. Marque seu horário e cuide do seu coração com quem entende do assunto.

Clínica Cidio Halperin

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Porto Alegre/RS