O marcapasso é um aparelho pequeno, do tamanho aproximado de uma caixa de fósforos achatada, que trabalha vinte e quatro horas por dia para manter o coração batendo no ritmo certo.
Toda essa operação depende de uma bateria do marcapasso selada dentro do gerador. Entender quanto tempo essa bateria dura, o que acelera o consumo e como o cardiologista acompanha a carga ajuda o paciente a viver com mais tranquilidade e a se programar para a troca no momento adequado.
Como funciona a bateria do marcapasso?
A maioria dos marcapassos usa bateria de lítio, uma tecnologia escolhida justamente pela durabilidade e pela previsibilidade. Ela descarrega de forma lenta e gradual, o que permite ao aparelho medir a própria carga e informar ao médico quanto tempo ainda resta de funcionamento.
Essa bateria fica lacrada dentro do gerador, junto com o circuito eletrônico. Por isso, quando a carga chega ao fim, o procedimento consiste em trocar o gerador inteiro, e os eletrodos que já estão posicionados dentro do coração costumam ser mantidos.
Quanto tempo dura a bateria de um marcapasso?
Na prática clínica, a maior parte dos marcapassos convencionais dura usualmente entre 8 e 12 anos. Existem aparelhos que ultrapassam 14 anos e outros que chegam ao fim da carga em poucos anos, dependendo de como o coração do paciente usa o dispositivo.
A duração média varia conforme o tipo de aparelho implantado, doença que levou ao implante e sua progressão.
Como existem diversos tipos de marcapassos, sua duração também pode variar conforme sua indocação e utilização:
- marcapasso convencional de câmara única ou dupla: em geral de 8 a 12 anos;
- ressincronizador cardíaco, que estimula três câmaras: em geral de 6 a 9 anos, pelo consumo maior de energia;
- cardiodesfibrilador implantável (CDI): em geral de 5 a 8 anos, já que armazena energia para eventuais choques em segundos: 6 a10 anos.
O que faz a bateria durar mais ou menos?
Dois pacientes que receberam o mesmo modelo no mesmo dia podem chegar à troca com anos de diferença. A explicação está em fatores individuais.
Percentual de estimulação
Esse é o fator de maior peso, pois o marcapasso funciona sob demanda. Ele observa o ritmo próprio do coração e dispara apenas quando percebe uma falha ou uma frequência abaixo do programado.
Um paciente com bloqueio total depende do aparelho em praticamente 100% dos batimentos, o que consome carga de forma contínua. Já quem tem episódios ocasionais de bradicardia pode usar a estimulação em menos de 5% do tempo, e a bateria dura consideravelmente mais.
Energia programada em cada estímulo
Cada pulso enviado ao músculo cardíaco tem uma voltagem e uma duração definidas pelo cardiologista.
Ajustes finos, feitos nas revisões periódicas, permitem entregar exatamente a energia necessária para capturar o batimento com margem de segurança, evitando desperdício de carga ao longo dos anos.
Condição dos eletrodos
Os cabos que ligam o gerador ao coração têm uma resistência elétrica, chamada impedância, medida em todas as consultas de acompanhamento.
Alterações nesse valor podem indicar desgaste ou problema no eletrodo, e um cabo com baixa impedância consome mais energia da bateria.
Uso de recursos adicionais
Sensores de movimento, algoritmos de detecção de arritmias, registro de eventos e transmissão de dados por telemetria também consomem carga, ainda que em proporção menor que a estimulação propriamente dita.
Como o cardiologista acompanha a carga da bateria?
O acompanhamento é feito com um programador, um equipamento que se comunica com o marcapasso por meio de um cabeçote apoiado sobre a pele, sem picadas e sem qualquer desconforto.
Em poucos minutos, o aparelho informa a voltagem da bateria, a impedância dos eletrodos, o limiar de estimulação, o percentual de uso e uma estimativa de longevidade restante.
A rotina habitual inclui uma revisão cerca de um mês após o implante, outra em seis meses e, depois disso, consultas anuais ou semestrais. Quando a estimativa de carga se aproxima do fim, o intervalo entre as revisões diminui, passando a ser mais frequente.
Muitos modelos atuais oferecem monitoramento remoto. Um transmissor instalado na casa do paciente envia os dados do dispositivo para a equipe médica pela internet. Isso permite identificar a queda de carga e qualquer alteração de funcionamento entre as consultas presenciais.
O que acontece quando a bateria se aproxima do fim?
A bateria do marcapasso perde carga de forma progressiva e previsível, com anos de aviso antes de qualquer risco. Ao atingir um patamar determinado pelo fabricante, o aparelho entra em um modo de economia e sinaliza que a troca deve ser programada.
Esse ponto tem nome técnico, ERI, e garante uma margem de segurança de vários meses de funcionamento pleno.
Nesse período, o paciente segue protegido, e a equipe médica agenda a substituição do gerador com calma, em caráter eletivo. O procedimento é rápido, feito com anestesia local, e na maioria das vezes preserva os eletrodos já implantados.
Sinais que merecem atenção entre as consultas
Mesmo com todo o monitoramento, alguns sintomas justificam contato imediato com o cardiologista:
- tontura, desequilíbrio ou sensação de desmaio;
- cansaço desproporcional ao esforço realizado;
- falta de ar que apareceu ou piorou recentemente;
- palpitações persistentes;
- soluços rítmicos ou contrações musculares no peito e no abdome;
- inchaço, vermelhidão ou dor na região onde o aparelho está implantado.
A revisão periódica é o que garante a segurança
A durabilidade da bateria depende de variáveis individuais, e a única forma de saber quanto tempo resta no seu caso é pela leitura direta do dispositivo em consulta.
Comparecer às revisões programadas mantém a estimulação ajustada, prolonga a vida útil do aparelho e permite planejar a troca sem urgência e sem sustos.
Se você usa marcapasso e está com a revisão atrasada, ou tem dúvidas sobre a carga do seu aparelho e sobre quando será necessário substituí-lo, agende uma consulta com o Dr. Cídio Halperin.
A avaliação cardiológica com leitura completa do dispositivo é o caminho mais seguro para manter seu coração no ritmo certo pelos próximos anos.
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