Vou fazer cirurgia com marcapasso ou arritmia: quais os cuidados?

Quem tem marcapasso, desfibrilador implantável ou diagnóstico de arritmia precisa tomar cuidados específicos antes de fazer uma cirurgia.

O paciente pode ter dúvidas, por exemplo, se o aparelho pode interferir na cirurgia, se o bisturi elétrico é seguro ou se os remédios do coração precisam ser suspensos. Mas, com planejamento e comunicação entre as equipes, a grande maioria dessas cirurgias acontece com total segurança.

Este artigo mostra o que muda para pacientes que vão fazer cirurgia com marcapasso ou arritmias, tanto no preparo, quanto durante o procedimento e na recuperação.

Por que a avaliação cardiológica pré-operatória é essencial?

Toda cirurgia representa um estresse para o organismo. A anestesia, a perda de sangue, a dor e a resposta inflamatória alteram a pressão arterial, a frequência cardíaca e o equilíbrio de eletrólitos. 

Em pacientes com arritmia ou dispositivos implantados, essas alterações podem desencadear crises ou interferir no funcionamento do aparelho.

A consulta com o cardiologista antes da cirurgia tem três objetivos:

  • avaliar o risco cardiovascular do procedimento;
  • ajustar medicações, especialmente antiarrítmicos e anticoagulantes;
  • definir a programação do marcapasso ou desfibrilador para o dia da cirurgia.

Essa avaliação deve acontecer com antecedência suficiente para que todos os ajustes sejam feitos com calma.

O que muda para quem vai fazer cirurgia com marcapasso?

O risco da interferência eletromagnética

O principal cuidado durante a cirurgia é o bisturi elétrico, também chamado de eletrocautério. 

Ele emite correntes de alta frequência que podem ser interpretadas pelo marcapasso como batimentos do próprio coração. 

Quando isso acontece, o aparelho pode inibir seus estímulos, deixando o paciente sem o suporte de que precisa, principalmente se ele for dependente do marcapasso.

Como a equipe previne o problema

Existem várias medidas que reduzem esse risco de quem faz cirurgia com marcapasso:

  • uso de bisturi bipolar, que concentra a corrente em uma área pequena;
  • posicionamento da placa de aterramento longe do gerador do marcapasso;
  • aplicação do eletrocautério em pulsos curtos;
  • programação temporária do marcapasso em modo assíncrono, que estimula o coração em frequência fixa sem “escutar” sinais externos;
  • uso de um ímã sobre o gerador durante o procedimento, em modelos que respondem a essa técnica.

A decisão sobre reprogramar ou usar o ímã depende do tipo de cirurgia, da distância entre o campo cirúrgico e o dispositivo, e do grau de dependência do paciente. 

Cirurgias abaixo do umbigo, por exemplo, oferecem risco menor de interferência.

Informações que o paciente deve levar

No dia da consulta pré-operatória e no dia da cirurgia, tenha em mãos:

  • a carteirinha do marcapasso, com modelo, fabricante e data do implante;
  • a data da última avaliação do aparelho;
  • a lista de medicamentos em uso;
  • exames recentes, como eletrocardiograma e ecocardiograma.

O que muda para quem tem desfibrilador implantável (CDI)?

O CDI funciona como um marcapasso e, além disso, detecta arritmias graves e aplica choques para interrompê-las. 

Durante a cirurgia, a interferência do bisturi elétrico pode ser lida como uma arritmia e provocar um choque desnecessário.

Por isso, a função de terapia antitaquicardia costuma ser desligada temporariamente antes do procedimento, por reprogramação ou pela aplicação de um ímã. 

Nesse período, o paciente permanece com monitoramento cardíaco contínuo e o desfibrilador externo fica disponível na sala. Logo após a cirurgia, a função é reativada e o aparelho é conferido.

O que muda para quem tem arritmia sem dispositivo?

Fibrilação atrial

Pacientes com fibrilação atrial geralmente usam anticoagulantes. O manejo desses medicamentos é um dos pontos mais importantes do preparo. 

Dependendo do risco de sangramento da cirurgia e do risco de trombose do paciente, o cardiologista decide entre suspender o remédio por alguns dias, manter ou fazer uma ponte com heparina. Essa decisão é individual e deve ser combinada com o cirurgião e o anestesista.

Taquicardias e extrassístoles

Antiarrítmicos costumam ser mantidos até o dia da cirurgia, inclusive na manhã do procedimento, com um pequeno gole de água. 

A suspensão pode desencadear crises justamente no momento de maior estresse para o organismo.

Bradicardias e bloqueios

Pacientes com bloqueios de condução ou frequência cardíaca baixa podem precisar de um marcapasso temporário durante a cirurgia, dependendo do grau do bloqueio e do tipo de anestesia.

Durante a cirurgia

O anestesista acompanha o ritmo cardíaco em tempo real. Alguns cuidados adicionais incluem:

  • monitoramento do pulso por oximetria ou pressão arterial invasiva, já que o eletrocardiograma pode ficar distorcido pelo bisturi;
  • controle rigoroso de potássio, magnésio e outros eletrólitos;
  • atenção ao controle da dor, que reduz a liberação de adrenalina e o risco de arritmias;
  • disponibilidade de medicamentos antiarrítmicos e desfibrilador na sala.

Após a cirurgia

O período pós-operatório imediato é o momento de maior incidência de arritmias, sobretudo fibrilação atrial, por causa da inflamação e das alterações de volume. Os cuidados incluem:

  • monitoramento cardíaco nas primeiras 24 a 48 horas em cirurgias de maior porte;
  • reprogramação e verificação do marcapasso ou CDI antes da alta;
  • retomada dos anticoagulantes no momento definido pelo cardiologista e pelo cirurgião;
  • retorno ao cardiologista nas semanas seguintes para reavaliação.

Comunicação entre as equipes faz toda a diferença

O sucesso da cirurgia em pacientes com dispositivos cardíacos ou arritmias depende do trabalho conjunto entre cardiologista, cirurgião e anestesista. 

Quando cada um sabe exatamente qual aparelho o paciente usa, quais remédios toma e quais ajustes foram feitos, a chance de complicações cai muito.

Faça sua avaliação pré-operatória

Se você tem marcapasso, desfibrilador ou arritmia e vai passar por uma cirurgia, agende uma consulta com o Dr. Cídio Halperin. 

A avaliação cardiológica pré-operatória define os ajustes necessários e traz segurança para você e para toda a equipe que vai cuidar de você.

Clínica Cidio Halperin

Rua Mostardeiro 157 Conj. 703/704 | Moinhos de Vento

Porto Alegre/RS