Sintomas de arritmia que ninguém associa ao coração

Sintomas de arritmia como tontura, cansaço crônico, falta de ar sem esforço, náusea, suor frio, sensação de pânico, fraqueza nas pernas ou lapsos de memória nem sempre são associados ao coração. Mas podem ser sinais de arritmia cardíaca. 

Este texto explica quais são esses sintomas inesperados, como e por que ocorrem, e quando vale a pena procurar avaliação cardiológica.

O que é arritmia

Arritmia é qualquer alteração no ritmo ou na sequência das batidas do coração. Ele pode bater rápido demais, devagar demais ou de forma irregular. 

Nem todas as arritmias são perigosas, muitas são benignas. Ainda assim, algumas podem reduzir a capacidade do coração de bombear sangue e provocar sintomas que afetam a vida diária.

Entender as arritmias exige olhar além do tórax. O coração interage com o cérebro, os pulmões, o sistema nervoso e até com o trato digestivo. 

Por isso, sintomas estranhos podem ter origem cardíaca. A ideia central aqui é reconhecer sinais que pedem atenção e investigação cardiológica.

Por que sintomas de arritmia são tão fáceis de confundir?

O coração está ligado a múltiplos sistemas do corpo e a pequena queda no débito cardíaco, ou seja, na quantidade de sangue que o coração movimenta a cada batida, pode causar efeitos sutis em órgãos distantes. 

Além disso, respostas reflexas do corpo, como suar, sentir náusea ou ter vontade de urinar, podem ser ativadas por uma alteração elétrica no coração.

Quando um sintoma é recorrente, atípico ou não explicado por exames básicos, deve-se considerar a possibilidade de problema cardíaco. 

Tontura, sensação de cabeça leve ou desmaio súbito.

Muitos episódios de tontura ou desmaio têm relação direta com diminuição brusca do fluxo sanguíneo cerebral, algo que uma arritmia pode causar. 

A sensação de quase desmaiar ao levantar-se, ao se emocionar ou sem motivo aparente pode indicar que o coração falhou temporariamente em manter o ritmo ideal.

Se essas quedas de energia ou episódios de quase desmaio ocorrerem com frequência, é importante investigar o ritmo cardíaco. 

Segundo o Dr. Cídio Halperin, a tontura recorrente pode ser um sinal de arritmia que precisa de avaliação cardiológica.

Fadiga crônica e cansaço que não melhora com descanso

Cansaço persistente, perda de energia e sensação de que o corpo não responde podem ser atribuídos a estresse, sono ruim ou depressão. 

Mas também são comuns quando o coração não bombeia sangue de forma eficiente devido a ritmos anormais. O paciente muitas vezes descreve que precisa de longos períodos para recuperar-se de atividades simples.

Quando o cansaço é desproporcional ao esforço e não melhora com sono, vale checar o coração. Fadiga crônica pode ser um sintoma silencioso de arritmia que merece investigação.

Falta de ar que aparece sem esforço significativo

A dispneia, ou sensação de falta de ar, pode surgir súbita ou progressivamente e, às vezes, ocorre em repouso. 

Em casos de arritmia, a ineficiência do bombeamento pode provocar acúmulo de líquido nos pulmões ou simplesmente uma sensação de respiração insuficiente, mesmo sem atividade intensa.

Se a falta de ar surge de maneira inexplicada ou é acompanhada de palpitações, procure avaliação cardiológica. Falta de ar sem causa aparente pode ser manifestação de arritmia.

Ansiedade, sensação de pânico e palpitações nervosas.

Não é raro pacientes relatarem ataques de pânico que se repetem quando, na verdade, o que ocorre são palpitações rápidas e irregulares. 

O corpo interpreta a arritmia como uma ameaça e desencadeia resposta de ansiedade: 

  • sudorese;
  • tremor; 
  • sensação de morte iminente. 

Às vezes o paciente recorre ao psiquiatra ou terapeuta sem que o ritmo cardíaco tenha sido monitorado.

Quando os episódios de ansiedade vêm junto com palpitações ou aparecem de forma muito súbita, considere investigação cardiológica. Ansiedade frequente e súbita pode ter raiz cardíaca relacionada a arritmias.

Sintomas digestivos: refluxo, náusea e sensação de vazio no estômago.

O nervo vago conecta o coração e o sistema digestivo. Alterações no ritmo podem gerar náuseas, desconforto abdominal, sensação de estômago apertado ou até refluxo. 

Esses sintomas são frequentemente tratados como problemas gastrointestinais, atrasando o diagnóstico cardiológico.

Se problemas digestivos surgem em associação com palpitações, tontura ou sudorese, vale checar o coração. Sintomas gastrointestinais persistentes podem, em alguns casos, ser sinal indireto de arritmia.

Suor frio, ondas de calor e sensação de descompasso do corpo.

Suor frio e ondas súbitas de calor podem acompanhar arritmias, especialmente quando o corpo reage ao aumento ou à queda abrupta no ritmo cardíaco. 

Essas manifestações são reflexos automáticos. Seu corpo está tentando equilibrar a pressão e o fluxo sanguíneo.

Quando episódios de sudorese inexplicada acontecem sem causa óbvia, investigue também o coração. Suor frio e sensações intensas do corpo podem ser pistas de arritmia.

Fraqueza muscular ou cansaço nas pernas

Em algumas pessoas, a redução discreta do débito cardíaco leva a menos fluxo sanguíneo para os músculos durante o dia. 

Isso se traduz em pernas pesadas, falta de fôlego ao caminhar e necessidade de parar mais cedo em atividades que antes eram fáceis.

Se você percebe queda de desempenho nas pernas sem causa ortopédica ou neurológica evidente, pense também no coração.

Confusão momentânea, dificuldade de concentração ou apagões de memória.

Quedas transitórias do aporte sanguíneo cerebral podem gerar lapsos curtos de atenção, dificuldade para formar frases ou esquecer acontecimentos recentes. Esses sinais são menos dramáticos que um AVC, mas ainda são relevantes.

Quando falta de foco ou episódios de confusão aparecem de forma nova e associada a outros sintomas como tontura ou palpitação, valem exames cardiovasculares. 

Quando procurar o cardiologista: sinais de alerta.

Nem todo sintoma significa emergência, mas existem sinais que exigem avaliação imediata: 

  • desmaio pleno;
  • dor torácica intensa;
  • falta de ar progressiva
  • sudorese profusa;
  • sensação de desmaio iminente. 

Agende uma avaliação com um cardiologista mesmo se os sintomas forem menos intensos, mas persistentes ou recorrentes, como tontura, fadiga inexplicada, palpitações frequentes.

Como o cardiologista faz a investigação

O especialista começará com exame clínico, eletrocardiograma (ECG) e, se necessário, monitorização ambulatorial (Holter) ou testes sob esforço. 

Exames de imagem do coração e avaliação de outros sistemas podem ser solicitados para encontrar a causa da arritmia. 

A investigação estruturada identifica ou afasta causas cardíacas e guiará o tratamento adequado. 

Convivendo com arritmia: tratamento e qualidade de vida.

Hoje, a maioria das arritmias pode ser controlada com estratégias bem definidas. Em muitos casos, ajustes no estilo de vida já diminuem bastante os sintomas. Por exemplo, reduzir estimulantes, melhorar o sono e controlar o estresse.

Quando necessário, entram medicamentos específicos, procedimentos como a ablação, que corrige o foco da arritmia, ou, em situações selecionadas, o uso de dispositivos cardíacos. 

O tratamento é sempre individualizado, respeitando o tipo de arritmia e o perfil do paciente. O importante é que mesmo sintomas leves ou intermitentes podem ser tratados a partir de um diagnóstico precoce.

Se você tem qualquer um desses sintomas de forma recorrente ou preocupante, entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Cídio Halperin. Uma avaliação cardiológica cuidadosa pode esclarecer a causa e orientar o tratamento adequado para proteger sua saúde e sua qualidade de vida.

Clínica Cidio Halperin

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Porto Alegre/RS