Palpitação na gravidez: normal ou alerta?

A gestação transforma o corpo da mulher de várias formas, e o coração está entre os órgãos que mais trabalham nesse período. Senti-lo acelerado ou perceber batimentos fortes no peito é uma queixa comum entre gestantes, principalmente a partir do segundo trimestre. 

Na maior parte das vezes, a palpitação na gravidez faz parte da adaptação natural do organismo. Em alguns casos, porém, ela pode indicar uma arritmia que merece avaliação do cardiologista.

Este artigo explica por que a palpitação aparece na gravidez, quais sinais diferenciam o normal do preocupante e como é feita a investigação e o tratamento nesse período.

O que acontece com o coração durante a gestação?

Para nutrir o bebê e a placenta, o corpo da gestante passa por mudanças importantes no sistema cardiovascular:

  • o volume de sangue circulante aumenta entre 40% e 50%;
  • a frequência cardíaca sobe cerca de 10 a 20 batimentos por minuto;
  • o débito cardíaco, que é a quantidade de sangue bombeada por minuto, cresce de 30% a 50%;
  • os hormônios da gravidez, como estrogênio e progesterona, relaxam os vasos e alteram a sensibilidade do sistema nervoso;
  • o útero em crescimento empurra o diafragma e muda a posição do coração no tórax.

Com tantas adaptações, o coração bate mais rápido e com mais força. A gestante percebe isso como palpitação, principalmente em repouso, deitada ou após esforço leve.

Quando a palpitação na gravidez é considerada normal?

A palpitação fisiológica da gravidez costuma ter algumas características:

  • dura poucos segundos e some sozinha;
  • aparece após esforço, emoção, calor ou ao deitar de costas;
  • vem sem outros sintomas associados;
  • melhora com repouso, hidratação e mudança de posição;
  • surge com mais frequência no segundo e no terceiro trimestre.

Batimentos extras isolados, chamados de extrassístoles, também são comuns e, na grande maioria das vezes, benignos. 

A sensação é de uma pausa seguida de um batimento mais forte, como se o coração “tropeçasse”.

Sinais que exigem avaliação médica

Algumas características indicam que a palpitação na gravidez pode ter origem em uma arritmia e precisam de investigação:

  • episódios que duram vários minutos ou horas;
  • batimentos muito rápidos, acima de 120 por minuto em repouso;
  • início e término súbitos, como um interruptor ligando e desligando;
  • tontura, sensação de desmaio ou desmaio de fato;
  • dor ou aperto no peito;
  • falta de ar desproporcional ao esforço;
  • inchaço acentuado nas pernas ou ganho rápido de peso;
  • histórico pessoal ou familiar de arritmia, cardiopatia ou morte súbita.

Diante de qualquer um desses sinais, a gestante deve procurar o obstetra e o cardiologista o quanto antes.

Arritmias que podem aparecer na gravidez

Taquicardia sinusal

É o aumento da frequência cardíaca com ritmo normal. Na gestação, geralmente reflete anemia, desidratação, ansiedade ou alterações da tireoide. O tratamento é direcionado à causa.

Extrassístoles

Batimentos prematuros que surgem dos átrios ou dos ventrículos. São frequentes e, em corações saudáveis, raramente exigem tratamento além de orientações sobre sono, cafeína e estresse.

Taquicardia supraventricular

Crises de batimentos rápidos e regulares, com início e fim abruptos. Mulheres que já tinham episódios antes da gestação podem notar aumento na frequência das crises. 

Existem manobras simples e medicamentos seguros para interromper e prevenir os episódios.

Fibrilação atrial e outras arritmias

Menos comuns em gestantes jovens, mas possíveis em quem tem cardiopatia estrutural, valvopatia ou doenças da tireoide. Exigem acompanhamento próximo e planejamento do parto.

Como é feita a investigação?

A avaliação começa com a história clínica detalhada e o exame físico. A partir daí, o cardiologista pode solicitar:

  • eletrocardiograma, que registra o ritmo do coração em repouso;
  • Holter de 24 horas, para captar arritmias que surgem ao longo do dia;
  • ecocardiograma, exame de ultrassom que avalia a estrutura e a função cardíaca sem uso de radiação;
  • exames de sangue, para investigar anemia, tireoide e eletrólitos;
  • monitor de eventos, quando os sintomas são esporádicos.

Todos esses exames são seguros para a gestante e para o bebê. O ecocardiograma, em especial, é o método de escolha para descartar cardiopatias estruturais durante a gravidez.

Tratamento durante a gestação

O tratamento depende do tipo de arritmia, da intensidade dos sintomas e do trimestre. As medidas iniciais incluem:

  • reduzir ou eliminar cafeína, energéticos e chocolate em excesso;
  • manter hidratação adequada;
  • dormir de lado, preferencialmente o esquerdo, para melhorar o retorno venoso;
  • corrigir anemia e alterações da tireoide;
  • controlar ansiedade e estresse com apoio profissional, quando necessário.

Quando há necessidade de medicação, o cardiologista escolhe fármacos com perfil de segurança conhecido na gestação, sempre na menor dose eficaz. 

Betabloqueadores selecionados e alguns antiarrítmicos podem ser usados com acompanhamento. 

Procedimentos como cardioversão elétrica são seguros para o bebê e reservados para situações de urgência.

O parto em gestantes com arritmia

A maioria das mulheres com arritmia pode ter parto normal. A via de parto é definida pela indicação obstétrica, com o cardiologista participando do planejamento. 

Em casos específicos, pode ser indicado monitoramento cardíaco contínuo durante o trabalho de parto e ajuste de medicações no pós-parto, período em que o volume de sangue volta ao normal e as arritmias tendem a diminuir.

O acompanhamento faz diferença

Uma gestação tranquila começa com informação e acompanhamento adequado. Palpitação na gravidez faz parte da adaptação do corpo, mas identificar o que é fisiológico e o que precisa de tratamento é tarefa do especialista.

Agende uma avaliação cardiológica

Se você está grávida e sente palpitações frequentes, teve tontura ou desmaio, ou já tinha diagnóstico de arritmia antes da gestação, agende uma consulta com o Dr. Cídio Halperin. 

A avaliação cardiológica traz segurança para você e para o seu bebê ao longo de toda a gravidez.

Clínica Cidio Halperin

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Porto Alegre/RS